Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2011
'O Divórcio' por Marta Chaves, Psicóloga Clínica

Divórcio: e agora?

 

As crises, de um modo geral, identificam-se como sendo situações caracterizadas pela instabilidade, indefinição e consequente falta de perspectiva quanto ao futuro.

A vivência de situações de crise, promove stress psicológico e conflitos emocionais, que não sendo bem geridos, diminuem a eficácia dos recursos que os indivíduos têm, para se adaptarem a situações inesperadas ou indesejadas.

O divórcio, quando acontece, sendo desejado ou não, é uma situação de crise, num dado momento da vida de uma pessoa. É uma crise que envolve diversas dimensões, provocando desequilíbrio.

Como diz Ítalo Calvino, "tudo é calma e tende para a calma", e neste sentido, sabendo que toda a crise é passível de ser superada, é de suma importância ter presente, que o divórcio enquanto crise, e dada a sua natureza pessoal, depende em grande parte do modo como é vivido pelo indivíduo.

Estando o indivíduo mais consciente do papel que pode desempenhar na sua própria vida, menos sentido fará, estar perante a mesma, como mero espectador, de um desfile de emoções e atitudes desconcertadas, cujas consequências recairão sempre e fundamentalmente, sobre o próprio.

Para além da dissolução formal, o divórcio pressupõe um rompimento, a assunção da falta de sentido da relação entre duas pessoas, seja ela declarada por uma, ou assumida pelas duas. É evidente que serão bem diferentes os cenários pessoais, conforme se deseje e/ou aceite esta situação.

No casamento, duas pessoas coincidem relativamente àquilo que querem. No divórcio, duas pessoas terão de coincidir relativamente ao que tem de acontecer. Quando duas pessoas decidem casar, subentende-se o propósito de colaborarem na relação, tendo em conta os seus interesses pessoais. Não deixa de ser uma situação também ela, que numa primeira instância, depende de uma decisão pessoal e consequente proposta.

O divórcio, tal como o casamento, poderia ser entendido como uma proposta. O processo é basicamente o mesmo, com um fim diferente. Tanto o casamento, como o divórcio, colocam em causa o rumo da relação, sendo que no primeiro caso, há uma relação que se deseja investir, e no segundo, há uma relação que se deseja extinguir. Em suma, encarar o divórcio como um processo de transformação, e não de destruição, poderá facilitar o modo como se processa aquilo que fica para trás, e sobretudo, orientar o indivíduo no compromisso pessoal com o seu futuro, esteja só ou acompanhado.

 

Marta Chaves

Psicóloga Clínica

Psicoterapeuta

(CP.7685)

www.psicologiaclinica.com.pt

martachaves@psicologiaclinica.com.pt

 



publicado por Amor sem limites às 12:04
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